Vida de Vinicius de Moraes – Breve biografia sobre o maior da música brasileira

O escritor brasileiro Vinicius de Moraes (1913-1980) ajudou a criar dois dos ícones da cultura do século XX, a peça Orfeu da Conceição, que ficou conhecida em inglês como Orfeu Negro depois que foi transformado em um filme de sucesso internacional, e a canção “Garota de Ipanema”, mais conhecida como “a menina de Ipanema”.

Essas duas obras formaram apenas uma pequena fração do que Moraes realizou. Ele escreveu poesia para especialistas e canções populares para o povo brasileiro. Uma lista completa de suas ocupações também incluiria diplomata, crítico de cinema, censor de cinema, roteirista, cantor e artista de gravação, colunista de conselhos, apresentador de rádio, advogado não-praticante, e não-conformista geral com um gosto pelo bom uísque.

Moraes estava sempre procurando algo novo, e essa tendência ajudou a torná-lo um grande artista de crossover que fundiu ideias culturais ocidentais e africanos no Orfeu Negro e trouxe a música brasileira sutil para o topo das paradas internacionais com “A garota Ipanema”.

Seu pai gostava de recitar poesia em reuniões familiares, e sua mãe cantava e tocava guitarra. Moraes escreveu seu primeiro poema aos sete anos, foi enviado para algumas das melhores escolas do Brasil, e ganhou um diploma de direito aos 20 anos, também entrando na Reserva Do Exército do Brasil. Moraes dedicou pouco ou nenhum tempo à prática da Lei, no entanto, pois ele estava dedicando sua energia a atividades artísticas.

Moraes e os irmãos Paulo e Haroldo Tapajós (ou Tapajóz) eram amigos de infância, e formaram um pequeno grupo musical na Escola Colégio Santo Inácio. Quando os dois irmãos começaram a ganhar fama nacional no Brasil como estrelas jovens, Moraes continuou a trabalhar com eles, escrevendo canções em gêneros de dança populares como.

Aos 15 anos de idade, Moraes teve seus dois primeiros hits como compositor com um par de composições chamadas Loira ou morena e Canção da Noite. Ele também era fascinado pelas tendências da poesia moderna. Ao terminar o seu curso de direito, publicou o seu primeiro livro de poesia, o caminho para a distância, seguindo-o com a sofisticada Forma e exegese (formas e interpretações) em 1935. Moraes passou vários anos trabalhando na indústria cinematográfica brasileira. Em 1938 ele ganhou uma bolsa de estudos para estudar na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e também escreveu vários volumes de poesia difícil, alguns deles em uma mistura de português e Inglês.

No ano seguinte, Moraes casou-se com sua primeira esposa, Beatriz. Ele se casou várias vezes, em cerimônias oficiais e não oficiais (mais tarde na vida ele era um aderente de uma variante Afro-Brasileira do catolicismo), e teve quatro filhas. (A última, Maria, nasceu em 1970.)

Forçado a retornar ao Brasil com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Moraes escreveu críticas ao cinema e trabalhou como um censor de cinema para o governo. Embora fosse um pouco tarde no jogo para tomar tal posição, ele escreveu artigos condenando o filme sonoro e exaltando as virtudes do cinema mudo.

Moraes juntou-se ao corpo diplomático do Brasil em 1943. Neste ponto de sua vida, ele ainda compartilhou a visão política conservadora de sua família e estava pronto para se tornar um servo do governo do Brasil e seus interesses. Ele até simpatizava com o fascismo nos estágios iniciais da Segunda Guerra Mundial.

Tudo isso mudou depois que Moraes conheceu o escritor americano Waldo Frank em 1945. Ele foi enviado para fornecer passagem segura ao redor do Brasil para Frank, que havia sido fisicamente atacado por fascistas na Argentina, e Moraes disse a Selden Rodman da revista Saturday Review que, à medida que os dois viajavam pelo país, “eu vi o crime, a degradação sexual e a pobreza pela primeira vez. Em 30 dias eu já não era um menino, já não um cidadão da classe média alta, preparado pelo sacerdócio para ser um bom direitista. Fiz um círculo completo. “Para o resto de sua vida Moraes foi um defensor da democracia às vezes conturbada do Brasil e um defensor da justiça social.

Mais alargamentos de seus horizontes ocorreram quando ele foi colocado em Los Angeles, Califórnia, como vice-cônsul Brasileiro em 1946. Ele passou três anos nos Estados Unidos, passando tempo com celebridades como a diretora Orson Welles e a atriz Rita Hayworth. Moraes recuou sua oposição ao cinema sonoro, explicando, de acordo com Kirsten Weinoldt da revista Brazzil, que “eu era e continuo a ser, não um mudo cinematográfico, como muitos pensam, apenas um pouco de gaguez. Ele editou uma revista de cinema, mas durou apenas duas edições.

Em 1950, após a morte de seu pai, Moraes retornou ao Brasil. Ele se mudou com a irmã de 19 anos de um amigo, vivendo em um apartamento no Rio sem eletricidade, pois ele tinha sido forçado a receber um corte de salário quando não em um posto estrangeiro. Complementando sua renda como crítico de cinema para o jornal Ultima hora, Moraes foi forçado a escrever uma coluna de conselhos como parte do trabalho. Mas o ambiente do Rio estimulou seus impulsos criativos. Visitando clubes noturnos, ele ouviu os próximos músicos do gênero infeccioso samba e começou a escrever letras de música mais uma vez.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *